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Dia da Mãe

Categoria: Para cada domingo Publicado em Sábado, 05 Maio 2012 17:08 António Martins
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Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós diz-nos Jesus no texto do Evangelho de S. João que escutámos.

Permanecer… ficar… estar plenamente… de forma absoluta e eterna é essa a vontade que Deus em Jesus mostra querer ter para nós. Ele quer permanecer sempre connosco e deseja que nós queiramos permanecer de forma eterna a seu lado.

Deus quer ser para nós como uma mãe! Deus é verdadeiro Pai … Criador e líder do universo mas quer ser também para nós verdadeira mãe! Mãe que está sempre atenta, que não desiste nunca que ama incondicionalmente…que se esquece de si para viver as inquietações dos seus filhos.

Deus quer ser para nós verdadeira mãe… uma mãe tem sempre dois corações… o coração que vive nela e o coração que vive no filho. Assim Deus quer permanecer connosco viver em nós querendo nós viver n’Ele.

Hoje é o dia da mãe! Estamos no mês de Maio (mês de Maria) e neste primeiro domingo do Mês lembramos de forma especial todas as mães. Rezamos à mãe do céu para que abençoe, guarde, proteja e interceda junto do seu divino Filho por todas as mães! Pedimos à mãe do Céu que seja modelo de determinação e coragem, de firmeza e confiança em Deus para todas as mães!

Em tempo Pascal (tempo de re afirmar esta alegria e esta certeza que Jesus está vivo… venceu a morte!) queremos evocar neste mês de Maio de forma especial Nossa Senhora. Aquela que mais confiou… a que mais amou e por isso aquela que mais se alegrou com a vitória do seu Filho sobre a morte.

Neste dia da mãe queria convosco rezar por todas as mães e por isso quero colocar junto à imagem de Nossa Senhora que aqui temos na Igreja um postal que marque este dia especial. Coloco junto desta imagem este postal (marcador) e peço a esta mãe que acolha junto do si (na comunhão dos santos, na vida eterna) todas aquelas mães que já partiram… Peço a Nossa Senhora que interceda junto do seu divino Filho para que acolha junto de si todas aquelas que nos deram à vida e já deixaram este peregrinar terreno…

De certo muitos dos que aqui estão apenas têm esta mãe que vive no amor eterno de Deus e vive também na saudade profunda que sentem dela.

Quero também, neste dia da mãe, colocar um postal alusivo a este dia junto do sacrário e pedir a Jesus presente no pão consagrado que abençoe todas as mães que ainda temos o privilégio de ter. Peço a Jesus vivo no pão consagrado que dê saúde, coragem e paz a todas as mães. Peço a Jesus eucaristia que abençoe todas as mulheres que são exemplo de coragem, entrega e dedicação aos seus filhos, à sua família, ao seu lar.

Também quero colocar um postal alusivo a este dia sobre o altar. E quero pedir ao Pai do Céu que ajude todas a aquelas mães que querendo sê-lo não conseguem… que perdoe aquelas que podendo ser não quiseram…peço ao pai do Céu que perdoe aquelas que não são fieis ao seu papel e não são capazes de deixar de lado o seu egoísmo e viver em função daqueles que deram à luz.

Finalmente quero dar um postal a todas as mãe e a todas as mulheres que vieram hoje à Igreja. No final da celebração pedirei para serem distribuídos… quero Alegrar me com elas por Deus querer a sua colaboração para que a obra da criação continue. Alegrar me com elas por terem sempre um coração tão grande e uma coragem sem comparação para enfrentarem todas as dificuldades com determinação.

Todos admiramos muito a nossa mãe e amamos a mãe que temos no céu. Neste mês de Maio não nos esqueçamos de lhe rezar o terço (ela que tanto o recomendou em Fátima) …

As mães têm esta capacidade de permanecer… Elas têm a capacidade de ouvir o silêncio.
Adivinhar sentimentos.
Encontrar a palavra certa nos momentos incertos.
Nos fortalecer quando tudo ao nosso redor parece ruir.
Sabedoria emprestada dos deuses para nos proteger e amparar.
Sua existência é em si um ato de amor.
Gerar, cuidar, nutrir.
Uma mãe só conhece e só vive uma palavra…. Amar...
Amar com um amor incondicional que nada espera em troca.
Afeto desmedido e incontido, Mãe é um ser infinito.

Acredito que o amor de mãe é o combustível que capacita um ser humano comum a fazer o impossível.

Uma mãe não espera recompensas… apenas secretamente espera o carinho permanente dos seus filhos!

Domingo de Páscoa

Categoria: Para cada domingo Publicado em Sábado, 07 Abril 2012 20:42 António Martins
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Hoje os cristãos celebram a razão de ser da sua fé. Hoje os cristãos de todos os cantos da terra alegram-se pela ressurreição de Jesus que dá um novo sentido à nossa vida e existência.
Não acreditamos na re encarnação… não esperamos um simples re animar dos corpos uma simples ressuscitação… Esperamos e acreditamos na Ressureição (única, plena e definitiva) que Jesus como primogénito nos apresenta e manifesta na sua vida.
A celebração da Páscoa é fundamentalmente um ato de fé que assenta na certeza da ressurreição de Jesus Cristo. Os cristãos acreditam que, na ressurreição do Nazareno, aqueles que O vêem Filho de Deus, têm aí o penhor e a garantia da sua ressurreição pessoal.

A Páscoa permite o encontro das famílias. As férias escolares e as visitas que se fazem promovem a convivência familiar. É, por isso, tempo de alegria e de libertação. Todavia, envolvidos num cenário profundamente preocupante – e não apenas por estarmos “mergulhados até ao pescoço” numa crise económica gravíssima, mas porque a crise é muito mais do que a falta de dinheiro e de liquidez de mercados – como poderemos viver a alegria pascal?

É preciso um ato de fé grande para expressarmos a alegria da Ressurreição quando olhamos para o lado – ou olhamos para a nossa casa – e as preocupações são tantas e tamanhas… Viver a alegria quando não se tem o necessário para viver com o mínimo de dignidade, quando não há emprego, e o que há, tantas vezes, está trespassado de precariedade, exige um ato de coragem e de ousadia.


É verdade que não podemos, de uma vez, inverter os indicadores económicos, que não eliminamos a corrupção dos “senhores que mandam”, que não criaremos emprego suficiente para os mais de 600 mil desempregados… mas a Páscoa dos cristãos pode ser uma ocasião de viragem se, pelo menos os cristãos, se assumirem como portadores de uma alegria e de uma esperança que brotam de Deus e que permite enfrentar as dificuldades com coragem.

Dizia o Papa na sua mensagem para do dia da Juventude que “o verdadeiro cristão nunca está triste ou desesperado, mesmo diante das provas mais duras, e a alegria cristã não é uma fuga da realidade, mas uma força sobrenatural para enfrentar e viver as dificuldades quotidianas”. “O mal não tem a última palavra sobre a nossa vida”, escrevia o Papa.
Celebrar a Pascoa – a festa da vida é querer ressuscitar também e aspirar a essa vida plena de paz junto de Deus.

Nesta Páscoa em primeiro lugar peço a Jesus que me Ressuscite a mim…Que me dê a alegria pascal para O anunciar sempre com desassombro e verdade sem me deixar abater por nenhuma circunstancia.
Peço que me ressuscite a mim na convicção que arrasta, motiva e promove a fé daqueles que me estão confiados.
Peço a Deus que me ressuscite a mim na coragem de confiar e me entregar sempre a ser instrumento dócil à ação do espírito santo.

Em segundo lugar peço a Jesus que Ressuscite com ele as comunidades cristãs que me estão confiadas e ressuscite a própria Igreja.
Que as pessoas deixem de jogar e consigam amar-se verdadeiramente. Que nunca faltem pessoas empenhadas no serviço eclesial feito com amor sincero e entrega ao Reino.
Peço a Jesus que nesta Páscoa ressuscite as Paróquias que me estão confiadas para que haja cada vez menos “ditos e mexericos” e mais empenho e compromisso com Jesus Cristo na Igreja e na comunidade paroquial.

Finalmente peço a Jesus que Ressuscite aqueles que estão indiferentes ou andam arrefecidos… aqueles que se sentem mais abandonados por Deus ou pelos irmãos.


Peço a Jesus, vivo e ressuscitado, que abençoe e acompanhe aqueles que deixaram apagar a chama da fé. Que sintam bem no fundo do seu coração a sede de Deus e a necessidade de viver a fé em comunidade.

Que nesta Páscoa 2012 ninguém fique indiferente e que ninguém se esqueça de ressuscitar para uma vida nova. Digam a todos o quanto são importantes nas vossas vidas o quanto os amam… Ressuscitemos por dentro para amar mais os que connosco peregrinam.

Somos pascais. Aí nascemos como Povo de Deus. Da Páscoa partimos para a missão de transformar o nosso mundo num “pouco de céu”.

Que esta Páscoa seja a viragem. Que a Páscoa seja a libertação não só do pessimismo, mas também da apatia e do comodismo. Podemos e devemos não desistir de lutar de viver!

Que esta Páscoa a todos traga vida nova de motivação, amor, saúde e paz. Santa Páscoa para todos!

IV Quaresma - B

Categoria: Para cada domingo Publicado em Sábado, 17 Março 2012 12:11 António Martins
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A Quaresma é um tempo oportuno para purificar ideias… para rever atitudes… para motivar vontades. A Quaresma é um tempo que nos desafia a fazermos a revisão da nossa vida cristã.

A Quaresma deve também ser o tempo em que nos sentimos convidados a rever a imagem que temos do nosso Deus.

Muitas vezes, de muitas maneiras apenas conseguimos ver em Deus um juiz severo e castigador. Mais facilmente encontramos em Deus um Juiz do que um salvador. Deus é Juiz, mas um juiz misericordioso! Procede sempre com misericórdia para connosco.

A Bíblia apresenta-nos esta imagem de um Deus assim…

- Um Deus Criador e Amigo... que dialoga com Adão...

- Um Deus que faz uma Aliança de amizade com o seu povo...

- Um Deus-conosco ("Emanuel")... que caminha com o povo...

- Um Deus que liberta... e salva...

- Um Deus misericordioso, que perdoa...

- Um Deus Pai... sempre disposto a acolher o filho pródigo...

Mesmo até quando na Biblia Deus Castiga o castigo visto apenas como um remédio extremo para que o homem se arrependa e volte à amizade com o próprio Deus.

A 1ª leitura revela a Justiça e a Misericórida de Deus que liberta o seu povo. Deus detesta o pecado mas ama o pecador!

O povo pecou, sofreu… mas Deus liberta! Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva.

Na 2ª leitura S. Paulo afirma que Deus é rico de misericóridia e nós somos filhos amados, a quem Deus quer oferecer a vida plena e a salvação.

“Deus é rico em misericórdia!”

Paulo lembra-nos mais uma vez esta verdade fundamental: Deus é amor! Precisamente por isso: sabendo que Deus me ama sem limites é que tem sentido eu acreditar n’Ele. Mas o homem nem sempre foi fiel ao Seu amor. Em muitas ocasiões, o homem não quis escutar a voz de Deus, o homem não quis ouvir os seus mensageiros e, por isso, as infidelidades a Deus multiplicaram-se. E é destas infidelidades que nos fala a primeira leitura.

Também, hoje, nós, por vezes, estamos longe de Deus; temos momentos em que O esquecemos, em que não queremos saber d’Ele, em que duvidamos da Sua presença e do Seu poder, em que somos infiéis ao seu seguimento e à própria Palavra. Mas Deus, porque é Pai e é rico em misericórdia, está sempre pronto a perdoar; ao contrário de nós que nos custa tanto perdoar porque nos custa libertar-nos das mágoas que nos acompanham, porque não criamos espaço e momentos para dialogarmos, porque o nosso simples orgulho vence a vontade de partirmos ao encontro de quem nos lançou a ofensa. Quando nos sentimos feridos, a dor consome tanto o nosso ser e priva-nos e isola-nos a vontade de fazermos alguma coisa que cure e apague a mesma dor. Por isso é que dizemos que o tempo tudo cura; para tudo é preciso um momento e uma hora certa, mas para curarmos a dor que temos é necessário realçar e vincar com firmeza, a vontade de a curar. Com Deus é tão diferente! Para Ele não é preciso um momento e uma hora certa, está sempre pronto a perdoar; basta ver, os olhos do homem, o arrependimento do coração e o desejo de renovar a sua vida!

Deus manifestou-nos o Seu Amor e a sua benevolência, enviando o Seu Filho único para salvar o mundo. Deus entregou o Seu Filho único para que todos os homens acreditem n’Ele e tenham a vida eterna. Sim, esse Filho único que vemos suspenso no madeiro da cruz é a prova real do grande amor que Deus sente e oferece à humanidade!

Perante este tão grande amor de Deus pelos homens, ninguém pode ficar indiferente! Ninguém pode permanecer indiferente! Todos nós, como filhos, somos chamados a dar uma resposta, a tomar uma decisão:

O homem é convidado, como diz Paulo, a optar por dois modos de viver: “sem Cristo” ou “com Cristo”.

Para os que optam por viver com Cristo, devem sentir que estão com Ele. estar com Cristo, viver com Cristo significa viver de uma forma totalmente nova, onde o amor está presente e gera doação e comunhão, partilha, serviço e fraternidade.

Deus é rico em misericórdia e sente alegria por todas as vezes que vê um filho a arrepender-se e a dar-lhe um abraço a fazer as pazes; e sente mais alegria ainda, de todas as vezes que vê os filhos a realizar a partilha, o serviço, a fraternidade; quando tentam, na vida, criar algo de novo que tem o seu nascimento no amor que une os filhos ao mesmo Pai!

A caminho da Páscoa, e sendo hoje o domingo da alegria, por estarmos a mais do meio do tempo da Quaresma, peçamos, a Deus, a força e a coragem para sentirmos alegria na vida. As causas da tristeza só cada um é que sabe e sente; por isso, peçamos força e a coragem que nos faltam para vivermos com alegria e partilharmos da alegria do Cristo Ressuscitado que permanece vivo no meio de nós!

Na areia do meu deserto,
debaixo do sol incandescente do meu tempo,
procuro um poço que tenha água limpa,
capaz de tirar a sede de infinito que há em mim

Sei que existe em qualquer lado
porque vivo inquieto com o mistério e devo encontrá-lo antes do findar do dia.
Tiro água do poço do dinheiro e tenho ainda mais sede;
vou ao poço do prazer e a minha garganta fica ressequida.

Tiro água do poço do sucesso
e a minha visão fica escurecida,

do poço da publicidade e vejo-me como um escravo.
Serei, eu, condenado a morrer de sede,
investigador insatisfeito de certezas absolutas?
Porém, se escavar dentro de mim,
debaixo da areia do meu pecado;
se escavar nos sinais do tempo, debaixo da areia amontoada
pelo vento traiçoeiro do quotidiano,
encontrarei a nascente da água viva e pura, que tira a sede para sempre,
ao ponto que, quem bebe dela, não terá sede porque é gerada e filtrada pelo teu amor, Senhor, generoso e gratuito.
Bebo desta nascente,
guardada pela única Igreja,
que por esta razão se torna, em cada dia, fontanário, para tirar a sede de todos os sedentos do mundo.

Ámen.

Sermão da Saudade

Categoria: Para cada domingo Publicado em Sexta, 06 Abril 2012 17:18 António Martins
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Os dois horizontes - SAUDADE

A nossa vida acontece entre dois horizontes:

Um horizonte, — a saudade
Do que não há-de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão-de chegar;

 

A celebração da Pascoa invoca de forma clara estes dois horizontes próprios e configuradores da nossa existência… Vivemos entre a saudade do que já passou e gostávamos de voltar a ter (mas já passou… já morreu!) e o horizonte da esperança da vida definitiva que a ressurreição de Jesus inaugura.

A esperança que a Páscoa evoca não é a convicção de que alguma coisa correrá bem, não é apenas uma evocação da memória do passado mas a certeza que cada coisa tem um sentido e um significado... um horizonte de esperança e vida plena.

É tradição que neste momento final da nossa caminhada a que chamamos Enterro do Senhor evocar nossa Senhora como Senhora da Soledade. Neste momento final após a nossa caminhada abeirarmo-nos na contemplação deste amor desta mãe que recebe em seus braços o corpo inerte de seu filho… não sou mãe, nem nunca poderei ser, mas sei que a dor que um Filho sofre a sua mãe sofre no mínimo dor igual.

Nossa Senhora recebe em seus braços o seu Filho morto. Como cantam as verónicas… haverá dor maior que esta? Uma mãe assistir a esta suprema crueldade de ver o seu Filho morto apenas porque dizia a verdade plena?

Neste momento final deste ato de devoção pública costumamos fazer o Sermão da dor da saudade… e sobre este tema (dor e saudade) muitos dos que aqui estão seriam capazes de fazer um belo sermão… dor da saudade. Muitos dos que aqui estão teriam coisas importantes a dizer e a testemunhar a respeito deste tema (dor e saudade).

Todos temos o Coração marcado por esta dor… a dor da saudade! Uns mais outros menos mas todos sofremos de dor de saudade …

de alguém falecido. (aquele familiar… aquele amigo!) Só de recordar o nome na memória tolhe-se-nos o coração.
de alguém que amamos e está longe ou ausente.
de um amigo querido.
de alguém ou algo que não vemos há imenso tempo.
de alguém que nos faz falta para desabafar…
de sítios (lugares).
de situações.
de um amor que se viveu mas que morreu…

Nossa Senhora, a mãe de Jesus e nossa mãe, é a Senhora da Saudade… é a senhora que enfrenta a saudade e o medo da ausência até quando segura o seu filho morto nos braços. Precisamos sentir esta esperança! Nossa Senhora ensina-nos que mesmo segurando o Filho injustamente morto nos braços a saudade e o medo não a vencem… a dor e o medo não têm a última palavra porque a Esperança é sempre maior!

Senhora da soledade… senhora da saudade…

A palavra saudade é uma palavra bem portuguesa. Dizem os estudiosos que a Palavra saudade está entre as dez mais difíceis de traduzir entre todas as línguas do mundo.

Diz a tradição que foi cunhada na época dos Descobrimentos para definir a solidão dos portugueses numa terra estranha, longe dos seus entes queridos. Define, pois, esta melancolia causada pela lembrança; a mágoa que se sente pela ausência ou desaparecimento de pessoas, coisas, estados ou ações.

A saudade é o sentimento que logo após o amor, todos tentam traduzir. Saudade descreve a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor.

Saudade é uma espécie de lembrança nostálgica, lembrança carinhosa de um bem especial que está ausente, acompanhado de um desejo de revê-lo ou possuí-lo.

A Saudade é aquele sentimento da lembrança do que um dia nos fez felizes, de algo que foi realmente bom. É ter a certeza de que por mais longe que as pessoas estejam, ou por mais tempo que os momentos tenham passado, nós nunca os esqueceremos. Saudade é uma prova. Prova de amor.

A parte positiva deste sentimento / emoção é a possibilidade de o podermos amenizar.

Esta sensação de ansiedade, a que se associa aquele ‘friozinho na barriga’ de dor, conseguimos às vezes suavizado quando re-encontramos a pessoa ou a circunstância que nos fazia sofrer… O mesmo deveria acontecer com a Esperança que temos que até aqueles que já partiram (deixaram este peregrinar terreno) mesmo esses haveremos de os re-encontrar na vida eterna... na comunhão dos Santos.

NÓS NÃO QUEREMOS SER REFENS DA SAUDADE…. NOS QUEREMOS SER PEREGRINOS DA ESPERANÇA!

Por isso nos funerais nós os cristãos não celebramos apenas a saudade e a dor dilacerante da separação…

Embora a saudade não caiba no peito e nesses momentos transborde pelos olhos nós mantemos a mesma esperança que a senhora da soledade nos quer ensinar abraçando o corpo sem vida do seu divino Filho.

Mesmo que a morte seja vista por nós como suprema injustiça, como foi a morte de Jesus… mesmo que a separação seja demasiado precoce queremos sentir que mesmo aqueles que partem estão vivos no amor que lhes temos… um amor de tal forma poderoso que até as barreiras da separação física é capaz de vencer…

O que é a saudade? É a prova do amor eterno… NÓS NÃO QUEREMOS SER REFENS DA SAUDADE…. NOS QUEREMOS SER PEREGRINOS DA ESPERANÇA!

E nesta sexta feira santa queremos fazer…

Silêncio!
Porque Jesus morreu!
Calem-se todas as vozes,
Calem-se todos os desassossegos!

A Palavra das palavras, que é Jesus falou.
Diante da Palavra feita vida,
Diante da Vida feita entrega e doação
Também eu me calo.
Apenas contemplo.
Busco a luz de Deus, pela Escritura,
Para olhar o sucedido.

O Filho de Deus feito homem,
Pregado no madeiro,
Por amor até ao fim.

Calo-me para que fale a contemplação.
Calo-me para que fale o silêncio,
Feito oração, feito súplica.
Calo-me porque faltam as palavras.
Calo-me olhando para a Cruz:
"Eis o homem!"
Eis o nosso Rei.

Ei-lo na Cruz,
Abraçando de uma vez toda a humanidade.


A Tua imagem, Senhor Jesus, morto na Cruz
Por amor a mim
Abarca-me e abraça-me por inteiro.
Ei-lo que jaz agora… no chão

À espera do nosso abraço confiado…

Agora espero e confio!
Sei que triunfarás
Porque o amor é forte,
Mais forte que a própria morte.

"Tudo está consumado!"
A salvação está operada na Cruz.
Dela, somos todos recebedores.

No escândalo e na loucura da Cruz
Se espelha, por inteiro, a glória de Deus
Sem poder, só podendo amar.

Terminaste a obra, Jesus.
Na manhã do terceiro dia, o Pai fará o resto
E cumprirá a promessa.

Senhor Jesus, já expiraste!
Nós suspiramos pela ressurreição.

Virgem digna de todo o louvor, Senhora da Soledade, Vós que permanecestes de pé junto à Cruz do vosso Divino Filho Jesus, e às suas palavras: "Mulher, eis o teu filho"- "Filho, eis a tua Mãe", - tornaste-Vos nossa Mãe; acolhei, com bondade, a nossa prece filial.

Santíssima Virgem Maria, Ó Senhora da Soledade, assim como o discípulo Vos acolheu em sua casa, também nós queremos abrir-Vos as portas dos nossos corações, dos nossos lares, CONSAGRANDO-VOS toda a nossa vida: passada, presente e futura.

Exercei, pois, Vossa função de Mãe, ensinando-nos a viver, em todos os momentos, a vontade de Deus, levando-nos, assim, a imitar o Vosso SIM de Nazaré, que culminou com o SIM do Calvário.

Vinde, ó Mãe, em socorro de nossas angústias, não permitindo que nos desviemos do caminho do bem, da verdade e do amor!

Conduzi as nossas vidas ao porto seguro da salvação, que é: JESUS!

Nossa Senhora da Soledade, rogai por nós!

Santa e verdadeira Pascoa para todos…

III Quaresma B

Categoria: Para cada domingo Publicado em Sábado, 10 Março 2012 08:56 António Martins
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O momento em que Deus promulga a Sua aliança com os homens é o momento chave da História da Salvação.

O Antigo Povo de Deus, Israel, povo eleito é símbolo de toda a humanidade, da qual Deus quer ser o principal aliado… Um dos aspectos fundamentais desta Aliança é a que hoje encontramos na primeira leitura onde Deus diz: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egipto, de uma casa de escravidão. Não terás outro Deus além de mim.”

Deus, amigo dos homens, indica ao antigo povo um conjunto de leis e preceitos que deve cumprir… os mandamentos! Cumprindo-os estaria a ser fiel ao Deus único e criador… para além de só por meio deste código de aliança, o homem conseguir verdadeiramente encontrar, o caminho da verdadeira liberdade e encontro com Deus.

Estas são algumas das ideias básicas que encontramos na primeira leitura, e podemos dizer que a mensagem central deste 3º domingo da Quaresma é a certeza e de que Deus faz aliança com os homens.

Na primeira leitura encontramos os mandamentos… o Deus único, o Senhor do céu e da terra, preocupa-se com o bem do homem e por isso lhe entrega este conjunto de normas não para depois o poder castigar caso não as cumpra mas essencialmente entrega-lhe este conjunto de leis porque a todos os homens ama e por isso nos entrega este conjunto de leis para que mais facilmente encontremos um caminho de felicidade, de liberdade e da encontro com a vontade de Deus.

Este conjunto de leis que Deus entrega não pretende ser um peso para os homens mas essencialmente um caminho de libertação e uma fonte de harmonia com o mundo e com as pessoas.

Deus compromete-se com o homem e não falha… o homem será feliz se igualmente se comprometer com Deus e procurar cumprir a lei que este Deus no decálogo propõem. Sendo os mandamentos um dom de Deus para a humanidade, é importante que o homem não veja neles uma imposição, mas sim Palavra de Deus que espera uma resposta.

Esta Palavra de Deus é uma fonte de bênçãos para quem a cumpre é um conjunto de normas que nos libertam da alienação e do egoísmo e é também um apelo à valorização da vida interior. (a palavra de Deus é sempre… bênção para quem a cumpre… são normas que nos ajudam a descobrir a vontade de Deus e é também um apelo a uma maior união a esta mesma vontade.

Fundamental será que esta aliança que Deus quer realizar com os homens não encontre em nós uma resposta nula… é necessário, como diz a 2ª leitura, proclamar a Cristo escândalo para os judeus e loucura para os gentios.

Hoje, de modo especial será necessário lutar contra o farisaísmo galopante, que muitas vezes resume a nossa resposta à aliança que Deus quer connosco realizar a uma apressada missa dominical, ou então a algum passeio turístico ao santuário da nossa devoção. A nossa vida cristã resumir-se a isto é esvaziar o sentido da aliança.

Deus propôs aquele conjunto de leis para provocar no homem uma resposta… A aliança que Deus pretende realizar com cada homem é algo que o deve comprometer totalmente… isto é… dizer-se cristão será sentir-se sempre comprometido com a mensagem de Cristo.

Não faz qualquer sentido alguém dizer-se Cristão não praticante… na minha opinião mais valeria dizer que era ateu… Ser cristão e ser fiel à aliança implica uma resposta diária e afirmativa colocando em prática o decálogo e a lei nova que Jesus vem trazer.

Vivemos um tempo que a atitude fundamental dos homens é encolher os ombros: reparai… perguntamos a alguém…

- como esta? Mais ou menos! Nem bem nem mal!

- concorda com esta guerra? Encolho os ombros… nem sei nem sim nem não!

O pior é que Sse perguntamos a alguém a respeito da sua fé muitas vezes acontece o mesmo… encolhemos ombros e respondemos… acredito… mais ou menos!

O Cristão não deve viver de fé “mais ou menos!” se tem não pode deixar de dar testemunho daquilo que acredita.

Ser Cristão implica aceitar a mensagem de Jesus sempre… mesmo quando nos diz para perdoar aqueles que nos ofendem e nos pede para não guardarmos rancores nos nossos corações.

Apesar das infidelidades à Palavra e à vontade de Deus o homem está sempre a tempo de recomeçar… Deus é amor e misericórdia- sacramento da reconciliação. O importante é dispormo-nos e colocarmo-nos a caminho e que sejamos cristãos verdadeiramente fieis… Este tempo de Quaresma deve ser este tempo de renovação e purificação da nossa fé… Este tempo de preparação da Páscoa deve ser um tempo de renovação das nossas convicções mais profundas… que seja um tempo de encontro pessoal com Jesus Cristo (que no evangelho nos mostra que e Ele é a proposta definitiva de Deus para o homem!)

Hoje é discípulo de Jesus aquele que procurar sempre e constantemente ser fiel à mensagem de Jesus. É fiel à aliança quem, a exemplo de Cristo, tiver coragem de expulsar do seu coração aquilo que o impede de prestar um verdadeiro e constante culto a Jesus.

Que todos os cristãos se tornem sempre conscientes da sua fé… que todos nos encontremos tempo para, na oração realizar o nosso encontro pessoal com Jesus e fundamentalmente que façamos da nossa vida uma continua oração… Que a nossa vida seja sempre um hino de louvor a este Deus que tudo criou, nos enviou o seu filho e nos fez seus filhos adoptivos.

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