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IIº Domingo Comum B - Partilha

Terminamos o tempo do Natal com a celebração de manifestações de Jesus Cristo... encerramos o ciclo anual em que celebramos o nascimento do nosso redentor com festa nas quais Ele se manifesta… com festas nas quais Ele se dá a conhecer como salvador esperado e universal… assim no domingo passado celebramos a Epifania de Jesus… a manifestação do Menino Deus aos Magos e figurados neles a manifestação de Jesus a todos os homens e povos. Na segunda-feira passada celebramos o Baptismo de Jesus… outra manifestação! Toda a Trindade se manifesta nesse momento… o Pai com voz forte proclama que aquele que se encontrava nas águas do Jordão era o seu Filho muito amado no qual Ele colocará todo o enlevo… ao mesmo tempo que o Espírito Santo descia do céu na forma visível de uma pomba.

Terminadas estas festas especiais ligadas ainda ao mistério do nascimento do menino Deus voltamos ao designado tempo comum. Tempo este assim designado  não porque seja um tempo sem importância e não se celebre nada de especial mas por neste tempo celebramos o ministério comum de Jesus Cristo… no tempo comum celebramos também a manifestação de Jesus Cristo na sua vida pública ao longo de três anos…

Celebramos hoje o segundo domingo deste tempo comum (o primeiro domingo corresponde habitualmente ao domingo em que celebramos a Festa do Baptismo do Senhor este ano vivido na segunda feira) e hoje o tema central das leituras é o tema da vocação. Escutamos na primeira leitura o relato do chamamento de Samuel e no Evangelho o relato do chamamento dos primeiros discípulos. E hoje proponho que meditássemos um pouco sobre as etapas de uma vocação, tema este bem explorado pelas leituras nomeadamente pela primeira e pelo Evangelho:

Em primeiro lugar Deus chama de uma forma mais ou menos directa, servindo-se normalmente de intermediários, que podem ser pessoas ou acontecimentos.

No caso que ouvimos relatado no Evangelho o intermediário da vocação dos Apóstolos é João Baptista que aponta a Jesus como “Cordeiro de Deus”.

É Deus que toma sempre a iniciativa num itinerário vocacional … Foi Ele que nos chamou à vida foi Ele que nos deu os dons suficientes para nos realizarmos… É Ele que continuamente nos auxilia e acompanha nas nossas decisões diárias. Importante será descobrirmos esta presença amorosa e diária de Deus em nossas vida e nas nossas opções. O Deus em quem acreditamos é um Deus sempre presente e actuante em nossas vidas…

Uma vocação resume-se à busca pessoal da felicidade e realização integral do homem… foi para isso que Deus nos chamou à vida – a nossa vocação é à felicidade… Todo o homem é chamado a buscar esta felicidade! É importante descobrir os momentos e as pessoas onde Deus actua para nos ajudar a alcançar esta felicidade e esta realização pessoal.

Assim como os discípulos souberam escutar e seguir a indicação de felicidade que João Baptista lhes indicava e assim como Samuel soube ser fiel ao que o Sacerdote do templo lhe indicou estejamos nós também sempre atentos à presença de Deus nos outros. A forma mais habitual de Deus hoje se manifestar é certamente no nosso próximo e nos acontecimentos simples do quotidiano.

Deus está no próximo que nos ajuda e aconselha… Deus está naquele que é exemplo para nós de bondade e amor ao próximo… Deus está à nossa volta que consigamos sentir a sua presença.

O segundo aspecto de uma vocação é a resposta mais ou menos generosa do homem a esta interpelação divina à felicidade… Deus chama mas espera do homem uma resposta positiva… Deus não obriga nem força ninguém a seguir um caminho que não lhe agrada… Só é feliz quem arriscar responder positivamente ao desafio de Cristo de seguir os seus ensinamentos.

 No caso do chamamento dos Apóstolos que escutamos no Evangelho, eles são para nós exemplo de entrega sem medo à proposta divina de seguimento… Os Apóstolos sentiram que só ao lado daquele mestre estariam plenamente felizes e realizados…

No caso de Samuel que escutamos na primeira leitura a resposta à interpelação divina foi mais difícil de interpretar e aceitar… Só à quarta tentativa Deus foi reconhecido por Samuel que lhe responde “Falai Senhor que o vosso servo escuta”.

É muito importante que nós cristãos consigamos cada vez com maior eficácia reconhecer qual a vontade de Deus para nós… de forma a conseguirmos cumprir generosamente a sua vontade que é de certo o único caminho para a nossa realização e felicidade… cumprir a vontade de Deus é ser feliz é sentir-se realizado…

A terceira característica que normalmente acompanha uma vocação é que aquele que se sente chamado tende a chamar outros de modo a que eles sintam a mesma alegria que ele sente… Escutamos no Evangelho o que aconteceu com André… depois de conhecer a Jesus, André não se conteve e foi chamar outros amigos seus para conhecerem aquela pessoa tão especial…

Todos estamos vocacionados à fé em Cristo… todos acreditamos que é Cristo que nos conduz à Salvação… todos acreditamos que só em Cristo encontramos a felicidade autêntica… por isso como André sintamos esta necessidade de partilhar esta certeza que é Jesus Cristo a todos os homens. Que nenhum Cristão guarde para si a sua fé… a fé deve ser recebida como um dom gratuito de Deus que devemos partilhar com os irmãos… Que nós cristãos nos sintamos responsáveis por construir um mundo mais santo e justo. Que partilhemos com todos os homens a nossa alegria por termos encontrado Cristo nas nossas vidas…

Esta é a nossa missão… esta é a nossa vocação… mostrar ao mundo, por palavras e por obras, que encontramos um sentido para as nossas vidas… que é a mensagem de Jesus Cristo.

A quarta característica de uma vocação é o facto de Deus confirmar essa mesma vocação… Reparas-te com certeza que Jesus no Evangelho “ fitou os olhos em Simão e mudou-lhe o nome para Pedro”… Sem a ajuda de Deus e só com nossas forças nada poderemos fazer com verdadeiro valor… Qualquer vocação exige esta confirmação… esta bênção de Deus…

Jesus no Evangelho “fitou em Simão os olhos”… este fitar os olhos significa este encontro pessoal e intimo que é necessário ter com este Jesus… Poderemos perguntar-nos… já alguma vez me encontrei a sério com o Senhor?… já alguma vez parei para verdadeiramente sentir a sua presença amorosa na minha vida?… alguma vez me senti verdadeiramente filho de Deus?… alguma vez me senti colocado face a face com este Deus que por amor me criou e que tudo o que pretende é ver-me feliz e realizado…? (r)

Todos fomos chamados à vida, todos fomos chamados a ser Cristãos, a ser apóstolos deste Cristo que tudo gratuitamente nos deu… porque será que cada vez há menos vocações de consagração para o sacerdócio e para a vida religiosa? Porque será que os jovens já não colocam hoje esse caminho como proposta de felicidade e realização plena para a sua vida!

Será necessário repensar em que consiste verdadeiramente esta alegria e esta vocação à felicidade… Num tempo em que tudo é tão efémero… num tempo em que a fama é perseguida como única fonte de realização nós somos convidados a ser diferentes… somos convidados as sermos testemunhas de Jesus Cristo única fonte verdadeira paz e felicidade integral para todo o género humano.

Que todos nós cristãos consigamos ser verdadeiramente pessoas vocacionadas… pessoas que buscam a partir de Cristo o sitio, a forma e o estado onde melhor se realizam e onde mais felizes se sentem.

Que Jesus abençoe todas as vocações consagradas…

Que Jesus abençoe todos os que pelo matrimónio buscam esta mesma felicidade. Que assim seja!

 

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