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V domingo da Pascoa PDF Imprimir e-mail
Celebramos a liturgia do Vº domingo da Páscoa e as leituras destes domingos pós Páscoa apresentam-nos imagens de Jesus, no domingo passado apresentou-se como Bom Pastor neste apresenta-se através da Imagem da videira. O texto de hoje tem lugar num contexto de discurso de despedida que Jesus faz aos seus discípulos. Neste contexto de despedida Jesus confidencia aos seus discípulos: “Tal como o Pai me amou, assim também vos amei: tal como Eu vos amei, amai-vos vós uns aos outros.” É estabelecida uma cadeia: o Pai, Jesus e os discípulos. Nesta corrente de amor, o importante é que não se perca aquilo que nasceu do coração do Pai. O amor tem que ser como o do Pai, não se pode adulterar. Jesus não inventou o amor, revelou-o tal como existe no coração de Deus: um amor que chega a todos e para todos, que não faz distinções, que inunda o coração de verdade… A fonte, a base e o modelo de todo o amor é sempre Deus. Qual será o segredo para não atraiçoar o amor que emanou do Pai? A fórmula não pode ser senão uma: permanecer em Jesus. Para explicar bem o significado desta afirmação Jesus serve-se de uma imagem: a união que existe entre a vide e a videira. O rebento da videira é o que é porque recebe o seu alimento da cepa, por estar unido a ela recebe dela a seiva. O rebento dá fruto porque está unido à cepa e porque a seiva, que é uma só para rebentos e tronco, lhe fornece o essencial. Se hoje pensarmos em como estamos unidos a outras pessoas ou nos relacionamos com elas, descobriremos muitos modos de ligação: unem-nos o telefone, o telemóvel, os meios de comunicação… unem-nos correntes ideológicas, projectos, compromissos, trabalhos… unem-nos os meios de transporte, a tecnologia… A verdade é que precisamos de nos relacionar ou, pelo menos, de termos contacto com os outros, de estarmos juntos, de nos sentirmos ao lado de outras pessoas, de criarmos uma corrente de simpatia… A necessidade de contacto está sempre presente. Muitas pessoas dormem com o telemóvel ligado… precisamos de “estar ligados uns aos outros”!Esta experiência revela a necessidade imperiosa de “união” aos outros. Precisamos mesmo uns dos outros – não queremos nem conseguimos viver na solidão. Precisamos tornar fecunda a nossa existência, o nosso desejo secreto de sentirmos a nossa vida interligada com a de outras pessoas para nos conseguirmos definir como “alguém”. Se examinarmos os nossos relacionamentos e ligações, verificaremos que os laços de união que criamos com as outras pessoas nos modificam o nosso coração. Os laços de amizade, de carinho e atenção que nutrimos pelas outras pessoas reasseguram a nossa existência. Quando Jesus compara a relação que se estabeleceu entre Si e os seus companheiros, o fundamental é mesmo o caminho, o mesmo amor, a mesma realidade que Ele é e recebeu do Pai. Não é possível estar unido à cepa sem se deixar inundar pela seiva da cepa. A união à videira, com Jesus, exige uma mudança, uma nova maneira de vida e relacionamento.A vida não é simplesmente acumular conhecimentos e influências. A Vida não é aglutinar-se a outras pessoas, mas permitir que o melhor do outro circule pelas nossas veias. O ressuscitado é Aquele que está disposto a dar-nos a seiva para que a nossa vida não seja nem vã bem vazia, mas fértil e fecunda. E, com ELE nas veias, os frutos que dermos serão uma realidade divina. Senhor, contigo estamos segurosA seiva que nos percorre é forte e puraNão temos medo de nada, pois estamos contigo.És tu quem potencia a nossa vidaÉs a energia que brota do nosso seioO impulso que reaviva a nossa história. Se estamos unidos a Ti, PaiDeixamos de ter duvidasE passamos a confiarA viver para Ti e em Ti.Tu és a videira, eu sou a vidaPor vezes, mirro e perco a forçaMas tu estás sempre aqui, dentro de mimRenovando os meus sonhos, enviando me em missãoTrabalhando ao meu lado nesta tarefaDe construir o mundo à Tua imagem. Sou como um rebento seco, sinto-o bemPois se estivesse mais agarrado a Ti,Mais unido por dentro, mão me perderia em disparatesNão estaria tristeNão procuraria coisas para calar a minha ansiedadeDeixaria tão somente que por mim circulasse a Tua seiva. Senhor, Tu que és a Cepa e és o mais forteAgarra-me a Ti com força,Faz-me dar frutos doces e sumarentosConserva-me aberto e disponívelNão deixes secar os meus ramos mais débeisNem permitais que se endureça o meu coração.Tu, que conheces as minhas dores, os meus receiosOs meus sonhos…
 
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