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IIº Domingo Comum - C

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Terminadas as festas natalícias e depois de termos celebrado no domingo passado o Baptismo de Jesus encontramos, neste IIº domingo do tempo comum, o inicio da manifestação pública de Jesus. O milagre das bodas de Caná inaugura a acção prodigiosa de Jesus que culminará na ressurreição. Durante três anos Jesus vai apresentar-nos o Mistério da Salvação. Ele é o messias esperado que vem para restabelecer a relação amorosa que Deus quer sempre manter com o seu Povo. Na primeira Leitura Isaías apresenta a imagem do casamento para revelar a profunda união que existe entre Deus e a Humanidade. O amor de Deus pelo seu Povo é um amor que nada consegue quebrar: nem o nosso afastamento, nem o nosso egoísmo, nem as nossas recusas. Ele está sempre lá, à espera, de forma gratuita, convidando ao reencontro, ao refazer da relação; e esse amor que Deus tem pela humanidade gera vida nova, alegria, festa, felicidade em todos aqueles que se deixam tocar por esse amor. Nesse amor, nunca desmentido, reside a alegria de Deus. Reside a alegria que Deus nos quer comunicar. (a certeza de sermos amados por Deus é a única fonte segura de esperança e alegria verdadeira e duradoura). O evangelho apresenta um “sinal” do programa de Jesus: - Jesus vem para mostrar aos homens o Pai, que os ama, e os convoca para a alegria e felicidade plenas.Num contexto de casamento (que era mesmo casamento e não apenas união de interesses ou união de desorientações sexuais) Jesus realiza o primeiro milagre, transformando água em vinho.Não é o pão, nem a carne, não é o mínimo necessário, que falta nas bodas de Caná! Ali, em pleno banquete nupcial, acaba por faltar o vinho e, com ele, falta o sinal da alegria do coração e da profusão do amor! Enquanto a água corrente, nos remete para o essencial da vida, no seu quotidiano, o vinho, que alegra o coração do Homem, leva-nos a saborear o requinte e o esplendor da criação, a graça da alegria.Este milagre de transformar água em vinho tem um significado profundo. É síntese de tudo o que Jesus fará depois. Ele é o esposo que vem para celebrar as núpcias com a humanidade. Para unir eternamente a humanidade afastada ao amor de Deus.A essa aliança, em certo momento, falta o vinho. Símbolo da festa e da alegria. As bodas de cana sem vinho representam a situação do povo, desiludido, perdido e insatisfeito. O amor a Deus tinha sido substituído pela observância da lei e o povo vivia sem a alegria de ser amado por Deus.Jesus transforma a água em vinho e quer comunicar novamente esta alegria de sermos filhos de Deus (a maior dignidade mas também a maior responsabilidade). A segunda leitura fala-nos da diversidade de dons e carismas que Deus nos concede. Somos Filhos de Deus e por isso agraciados com carismas e dons. Todos somos diferentes e nesta diversidade esta a enorme riqueza da humanidade. Todos somos diferentes mas todos temos o mesmo espírito de Deus em nós. Sentimo-nos amados por Deus, sentimo-nos felizes se formos capazes nos deixarmos conduzir pelo espírito de Deus. Este espírito é o amor que Deus tem por nós que nunca nos abandona, nos ampara e dirige.Como cristãos, somos todos membros de um único corpo, com diversidade de funções e de ministérios. A diversidade de “dons” não pode ser um factor de divisão ou de conflito, mas de riqueza para todos. Os “dons” que Deus nos concede devem sempre postos ao serviço do bem comum, e não servirem apenas para nos auto-promover, para ganharmos prestígio aos olhos dos outros.Pede-nos a segunda leitura que também nós façamos milagres. Colocando a render os dons e talentos que Deus nos confia. Aqui queria partilhar a inquietação que nos faz mover enquanto equipa de um Seminário Menor e de forma especial neste ano que o Papa Bento XVI quer que seja ano Sacerdotal. Deus continua a chamar! Deus continua a desafiar. Precisa de servidores para o seu povo. Precisa de padres (se calhar não precisa de muitos… mas de santos padres!).Deus continua a contar com a oração das comunidades cristãs por esta intenção (pelo aumento das vocações sacerdotais) e também continua a contar com a atenção de todos para que os jovens possam também colocar como possibilidade entre tantas outras “o ser padre”.  As bodas de cana continuam ainda hoje… e somos nós também convidados. (… a descobrir o amor que Deus tem por nós e a viver na alegria dessa certeza!)A nossa relação com Deus não se pode nunca resumir a um jogo complicado de ritos externos, de regras e obrigações que temos de cumprir. Uma religião assim é um pesadelo insuportável que tiraniza e oprime.Jesus veio revelar Deus como um Pai bondoso e terno, que fica feliz quando pode amar os seus filhos. É esse o “vinho” novo que Jesus veio trazer para alegrar a “aliança”… o vinho da festa e da alegria do encontro com o pai e com os irmãos.A nossa fé terá de ser este encontro com Jesus que nos ensina o que é o amor e nos aponta o caminho para amar.Quem acredita assim não é de certo como o chefe de mesa das bodas de Caná que, apesar de faltar o vinho, ficou instalado. Seremos como a mãe que pede a Jesus que resolva a situação ou seremos como os serventes que “fazem tudo o que ele disser!”.
Actualizado em ( Sábado, 16 Janeiro 2010 16:58 )  

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