Quarta feira de cinzas
Quarta, 17 Fevereiro 2010 13:29
Padre António
Quarta-feira de Cinzas – 2010 Com o rito da imposição das Cinzas, iniciamos hoje o tempo sagrado da QUARESMA. A Quarta-feira de Cinzas é a porta de entrada da Quaresma. Com a imposição das cinzas começa, oficial e solenemente, o tempo de preparação para a Páscoa. Entramos neste tempo especial onde nos deveremos sentir, de forma mais séria, comprometidos com o programa que Jesus nos propõe: a oração, a esmola e o jejum. Iniciar o tempo da Quaresma é procurar colocar os nossos olhos e o nosso coração sintonizados na Páscoa, na certeza da ressurreição de Cristo. 1- Quarta-feira de Cinzas. Qual o sentido, qual o significado deste dia?Este costume de colocar a cinza tem já, na igreja muitos séculos. Entre os séculos IVº e Xº havia mesmo um rigor muito grande no que dizia respeito aos que eram considerados pecadores públicos. Estes eram excluídos de participar na celebração eucarística. Além de estarem excluídos das celebrações litúrgicas ainda tinham de vestir uma túnica de cor escura e colocar cinzas na cabeça. Tinham de manter-se afastados de toda a vida da comunidade eclesial – eram marginalizados totalmente sendo que só voltavam à comunidade cristã depois de reconciliados, depois da vigília pascal. Hoje este sentido original da imposição das cinzas estendeu-se a todos os cristãos como sinal de entrada na Quaresma e preparação para a Páscoa. Tem um sentido autenticamente penitencial que se deverá expressar na prática concreta de algumas virtudes: aceitar receber as cinzas é um gesto pessoal de humildade mas também deverá ser um esforço por procurar crescer na oração, na simplicidade de vida, no espírito de pobreza e desapego, na moderação no viver, no comer e no beber, no cuidado com as palavras, na disponibilidade de tempo para os outros, e outras virtudes penitenciais.A cinza é hoje colocada sobre a testa ou cabeça do cristão como gesto de humildade, arrependimento, reconhecimento dos próprios erros e, ao mesmo tempo, de muita confiança em Deus. A testa/a cabeça aponta para o mental, o pensamento: convida a reflectir, analisar, avaliar, examinar a consciência, as atitudes de vida e durante esta Quaresma tudo fazer para CRESCER interiormente. 2- Iniciamos hoje o tempo favorável para a conversão. A Igreja propõem-nos 40 dias de preparação, intensa e profunda, para a celebração festiva da Páscoa da Ressurreição.A Páscoa é a festa central da fé cristã, daí que, seja fundamental uma preparação cuidada, atenta e efectivada em gestos concretos.A Bíblia usa com frequência o período de 40 dias (ou 40 anos) para indicar períodos especiais, que preparam os acontecimentos futuros:- O Povo caminha 40 anos no deserto, antes de entrar na Terra Prometida. Foi uma experiência de Purificação dos falsos deuses, de compreensão profunda dos mandamentos (Aliança) e de solidariedade no deserto...- Elias caminha 40 dias e 40 noites até o Monte sagrado de Oreb;- O Dilúvio: 40 dias para purificar a humanidade corrompida;- Moisés: 40 dias no Sinai antes de receber a Lei...- Jesus: 40 dias no deserto antes de iniciar a vida pública... 3- Quaresma é para nós um tempo forte de conversão e renovação preparando a maior festa - a Páscoa.Os textos sagrados que proclamámos repetem de forma exaustiva e insistente este apelo à conversão que vai marcar determinantemente toda a Quaresma. A Liturgia desde dia aponta-nos o espírito que deve animar todo este tempo quaresmal:Na 1a Leitura, o profeta Joel convoca o povo de Israel em assembleia e de forma veemente o exorta à conversão:"Rasgai os vossos corações, não as vossas vestes". O Profeta estava convencido que a causa da situação difícil que o povo estava a viver se devia ao esquecimento de Deus e ao descuido da Aliança. O profeta pede autenticidade no amor a Deus.O Salmo 50 que proclamámos é um também ele este apelo forte à penitência: “Pequei, Senhor, misericórdia" – a primeira atitude é reconhecer que erramos muito necessitamos constantemente da graça e do perdão divino.Na 2a Leitura, São Paulo fala aos Coríntios e hoje a nós desafiando-nos: "Reconciliai-vos com Deus... Eis (agora) o tempo favorável." No Evangelho Jesus apresenta três práticas religiosas dos judeus (a esmola, a oração e o Jejum), que devem ser realizadas com autenticidade, sem exibicionismo... 4- São os três caminhos quaresmais apontados pela Igreja:- A Oração deve-nos levar a uma experiência pessoal com Deus… a um conhecimento/união com/a Deus.A oração que este tempo nos sugere vai além das simples fórmulas tão comuns: a oração que somos convidados a conhecer e a praticar é a oração do cego e a do publicano: “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim!”. “Ó meu Deus, tem piedade de mim, pecador!”. É uma Oração de súplica e de arrependimento. É uma Oração de quem se reconhece pecador. Trata-se da oração do coração, que busca, através dela, a profunda e intima união com Deus.- O Jejum deverá levar-nos a um gesto concreto de conversão: privar-se de algo para uma liberdade interior maior. O jejum também vai muito além de abstenção de alimentos. O Profeta Joel acusa-nos dizendo que reduzimos a exigência divina a um simples formalismo exterior: “Rasgai vossos corações e não vossas vestes”. Que valor tem deixar de comer carne, para substituí-la por um prato de bacalhau que custa muito mais caro?! Joel fala de um jejum que apela para uma conversão profunda. Entender jejuar como criar um espaço, um vazio em nós para que a graça de Deus nos refaça e nos preencha. - A Esmola deve levar-nos a doar-nos aos irmãos, no serviço fraterno, em gesto de solidariedade e de partilha – Renúncia quaresmal. A esmola não se reduz à oferta de dinheiro, alimentos, roupas ou outros objectos que não precisamos: “Misericórdia eu quero e não vossos sacrifícios”. Deus espera que tiremos algo de nós mesmos para lhe oferecer. A oferta exterior precisa simbolizar e significar essa doação interior: tiramos algo de nós, um pedaço mesmo, para oferecer a Deus. Que esta Quaresma seja um tempo favorável de conversão. Que todos consigamos fazer um esforço sério, diário e permanente para superar o egoísmo, os vícios, o ódio, a indiferença pelos irmãos, crescendo no amor, na dedicação, na doação de nossa vida. É um trabalho perseverante para vencer as injustiças, o sistema de vida baseado na ganância, no luxo, na violência, no consumismo, no aumento do capital a qualquer custo. É positivamente unir-se a outras pessoas e grupos para construir uma sociedade segundo o Coração de Deus: uma sociedade justa e fraterna, baseada na partilha, na solidariedade, no respeito a cada ser humano, no amor sem exclusão e preconceito. 5- Que compromisso vamos fazer para esta Quaresma?!Eu já fiz os meus… e tu!?
Actualizado em ( Quarta, 17 Fevereiro 2010 13:31 )
IIº Domingo Comum - C
Sábado, 16 Janeiro 2010 16:58
Padre António
Terminadas as festas natalícias e depois de termos celebrado no domingo passado o Baptismo de Jesus encontramos, neste IIº domingo do tempo comum, o inicio da manifestação pública de Jesus. O milagre das bodas de Caná inaugura a acção prodigiosa de Jesus que culminará na ressurreição. Durante três anos Jesus vai apresentar-nos o Mistério da Salvação. Ele é o messias esperado que vem para restabelecer a relação amorosa que Deus quer sempre manter com o seu Povo. Na primeira Leitura Isaías apresenta a imagem do casamento para revelar a profunda união que existe entre Deus e a Humanidade. O amor de Deus pelo seu Povo é um amor que nada consegue quebrar: nem o nosso afastamento, nem o nosso egoísmo, nem as nossas recusas. Ele está sempre lá, à espera, de forma gratuita, convidando ao reencontro, ao refazer da relação; e esse amor que Deus tem pela humanidade gera vida nova, alegria, festa, felicidade em todos aqueles que se deixam tocar por esse amor. Nesse amor, nunca desmentido, reside a alegria de Deus. Reside a alegria que Deus nos quer comunicar. (a certeza de sermos amados por Deus é a única fonte segura de esperança e alegria verdadeira e duradoura). O evangelho apresenta um “sinal” do programa de Jesus: - Jesus vem para mostrar aos homens o Pai, que os ama, e os convoca para a alegria e felicidade plenas.Num contexto de casamento (que era mesmo casamento e não apenas união de interesses ou união de desorientações sexuais) Jesus realiza o primeiro milagre, transformando água em vinho.Não é o pão, nem a carne, não é o mínimo necessário, que falta nas bodas de Caná! Ali, em pleno banquete nupcial, acaba por faltar o vinho e, com ele, falta o sinal da alegria do coração e da profusão do amor! Enquanto a água corrente, nos remete para o essencial da vida, no seu quotidiano, o vinho, que alegra o coração do Homem, leva-nos a saborear o requinte e o esplendor da criação, a graça da alegria.Este milagre de transformar água em vinho tem um significado profundo. É síntese de tudo o que Jesus fará depois. Ele é o esposo que vem para celebrar as núpcias com a humanidade. Para unir eternamente a humanidade afastada ao amor de Deus.A essa aliança, em certo momento, falta o vinho. Símbolo da festa e da alegria. As bodas de cana sem vinho representam a situação do povo, desiludido, perdido e insatisfeito. O amor a Deus tinha sido substituído pela observância da lei e o povo vivia sem a alegria de ser amado por Deus.Jesus transforma a água em vinho e quer comunicar novamente esta alegria de sermos filhos de Deus (a maior dignidade mas também a maior responsabilidade). A segunda leitura fala-nos da diversidade de dons e carismas que Deus nos concede. Somos Filhos de Deus e por isso agraciados com carismas e dons. Todos somos diferentes e nesta diversidade esta a enorme riqueza da humanidade. Todos somos diferentes mas todos temos o mesmo espírito de Deus em nós. Sentimo-nos amados por Deus, sentimo-nos felizes se formos capazes nos deixarmos conduzir pelo espírito de Deus. Este espírito é o amor que Deus tem por nós que nunca nos abandona, nos ampara e dirige.Como cristãos, somos todos membros de um único corpo, com diversidade de funções e de ministérios. A diversidade de “dons” não pode ser um factor de divisão ou de conflito, mas de riqueza para todos. Os “dons” que Deus nos concede devem sempre postos ao serviço do bem comum, e não servirem apenas para nos auto-promover, para ganharmos prestígio aos olhos dos outros.Pede-nos a segunda leitura que também nós façamos milagres. Colocando a render os dons e talentos que Deus nos confia. Aqui queria partilhar a inquietação que nos faz mover enquanto equipa de um Seminário Menor e de forma especial neste ano que o Papa Bento XVI quer que seja ano Sacerdotal. Deus continua a chamar! Deus continua a desafiar. Precisa de servidores para o seu povo. Precisa de padres (se calhar não precisa de muitos… mas de santos padres!).Deus continua a contar com a oração das comunidades cristãs por esta intenção (pelo aumento das vocações sacerdotais) e também continua a contar com a atenção de todos para que os jovens possam também colocar como possibilidade entre tantas outras “o ser padre”. As bodas de cana continuam ainda hoje… e somos nós também convidados. (… a descobrir o amor que Deus tem por nós e a viver na alegria dessa certeza!)A nossa relação com Deus não se pode nunca resumir a um jogo complicado de ritos externos, de regras e obrigações que temos de cumprir. Uma religião assim é um pesadelo insuportável que tiraniza e oprime.Jesus veio revelar Deus como um Pai bondoso e terno, que fica feliz quando pode amar os seus filhos. É esse o “vinho” novo que Jesus veio trazer para alegrar a “aliança”… o vinho da festa e da alegria do encontro com o pai e com os irmãos.A nossa fé terá de ser este encontro com Jesus que nos ensina o que é o amor e nos aponta o caminho para amar.Quem acredita assim não é de certo como o chefe de mesa das bodas de Caná que, apesar de faltar o vinho, ficou instalado. Seremos como a mãe que pede a Jesus que resolva a situação ou seremos como os serventes que “fazem tudo o que ele disser!”.
Actualizado em ( Sábado, 16 Janeiro 2010 16:58 )
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Natal... Natal.
Sábado, 02 Janeiro 2010 12:13
Padre António
NATAL Inventámos consoadas e Meninos em palhinhas; fizemos árvores, luzinhas, embrulhos e embrulhadas, muitas coisas e coisinhas que não valem mesmo nada; E do NATAL, do seu sentido profundo, dessa LUZ QUE VEIO AO MUNDO, nem sinal. NATAL: LABAREDA IMENSA a iluminar o Caminho, que o homem teima em não ver. NATAL: ETERNA PRESENÇA, VIDA de DEUS entre os homens, que o homem teima em não querer. Se todo o crente aceitar o anúncio que Deus lhe envia, o ESPÍRITO habita nele como habitou Maria. E, em cada instante que passa, em contínua Incarnação, vive, por Divina Graça, um Cristo em cada Cristão. E, tal como em Nazaré aconteceu com Maria, em todo aquele que crê É NATAL em cada dia. NATAL: TRANSFUSÃO DE AMOR ligando a Terra e os Céus. É NATAL todos os dias se o Homem vive com Deus.
Partilha de Natal
Quarta, 23 Dezembro 2009 18:53
Padre António
Basta descarregar este ficheiro.
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